Mulher com óculos de realidade aumentada e realidade virtual

Metaverso: dados, capacidade computacional e o impacto no seu Data Center

Leitura de 11 minutos
03/11/21

Na última semana, o metaverso esteve em alta nas discussões sobre tecnologia, branding e o futuro dos negócios, em virtude do anúncio de uma nova marca para a holding que administra as operações do Facebook. E claro, de sua ambição de se tornar uma “empresa de metaverso” em até cinco anos.

Mais do que uma buzzword, esta plataforma, na qual o mundo físico se mistura às Realidades Aumentada e Virtual, já se apresenta como promessa da próxima evolução das experiências online.

Mas, de fato, será que todo esse repentino interesse da comunidade global pelo metaverso se justifica?

Bem, se o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19 acelerou a proliferação das comunidades virtuais, novos desenvolvimentos já preparam as bases para a vida no pós-crise. 

Nesse cenário, o metaverso permite que o usuário esteja presente na internet e não apenas olhando para ela. É o ambiente no qual o ‘Meta Me’ – seu avatar – reside, brinca, trabalha, compra e interage com um universo online compartilhado. E assim, fundamenta os caminhos das novas relações sociais.

Agora, fazendo um contraponto com a nossa área de interesse – o Data Center – não poderíamos deixar de chamar a atenção sobre todo o aprimoramento tecnológico que será necessário, em termos de capacidade computacional e de infraestrutura de rede, para suportar o uso massivo dessa plataforma por empresas e usuários finais nos próximos anos.

Intrigante, não é?

Quer saber mais sobre essa tendência? Confira abaixo o conteúdo na íntegra:

O que é metaverso?

Antes de avançarmos no apontamento de eventuais impactos do metaverso sobre o seu Data Center, vale a pena entendermos melhor de que, afinal, consiste essa ‘obra-prima’ da tecnologia.

Basicamente, o conceito que tem sido tão comentado recentemente trata da visão aspiracional de um lugar onde as pessoas coexistem em espaços virtuais imersivos e compartilhados, interagindo com outros humanos e com bots, ao jogar, conduzir negócios, socializar e fazer compras. Contudo, esse é o metaverso do futuro

Entretanto, no momento, consiste basicamente de um conjunto de hardware, software e de experiências não relacionadas. Nesse sentido você, provavelmente, já viu parte do metaverso de forma autônoma, como em jogos online ou uma sessão de treinamento. Isso quer dizer que ainda não há tecido conjuntivo disponível para reunir todos esses componentes. Por enquanto.

Na prática, a definição geral se refere a muitos universos distintos operando de modo independente uns dos outros. Em um contexto de tecnologia, é a representação integrada de mídias sociais, como o Facebook, Instagram e Twitter, de aplicações de comunicação, como o Discord, e de games, como Minecraft, Roblox, Animal Crossing e Fortnite. Assim, a proposta é de reunir todos esses multiversos em uma única plataforma, onde as pessoas socializarão e farão compras.

Em outras palavras, metaverso futuro consiste de um ambiente digital no qual tudo o que somos capazes de imaginar, poderá existir. Nesse entendimento porvindouro, possivelmente estaremos conectados o tempo todo a um ecossistema virtual, estendendo nossos sentidos de visão, som e toque. Ou combinando itens digitais no mundo físico. Ou, ainda, entrando em ambientes 3D totalmente imersivos, sempre que quisermos. 

E a essa ‘família’ de tecnologias coletivas dá-se o nome de eXtended Reality (XR) – ou Realidade Estendida, na tradução para o Português.


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O impacto do metaverso na economia global

Acredita-se que o termo metaverso tenha sido cunhado pela primeira vez no romance de ficção científica de Neal Stephenson, Snow Crash, de 1992, descrevendo uma combinação da existência digital e física. 

Com o desenvolvimento do conceito, que vem ganhando popularidade nos últimos anos, o metaverso passou a ser entendido como a convergência das realidades virtuais e físicas para a nova internet. Inclusive, já há quem diga que será, um dia, responsável por movimentar cifras vultosas, vindo a representar até 10 vezes o valor total de toda a economia global atual. 

Isso porque o mercado de Realidade Virtual (RV) e de Realidade Aumentada (RA) deve saltar de US$ 46,4 bilhões em 2019 para US$ 1,5 trilhão em 2030, conforme estimativa da PricewaterhouseCoopers (PwC). Nesse recorte, a análise demonstra significativos benefícios potenciais, em termos de produtividade, inovação e treinamento, para 23 milhões de trabalhadores em todo o mundo.

Como exemplo, a análise sugere que US$ 204 bilhões poderão ser adicionados ao PIB no setor de Varejo, a partir da criação de novas experiências de entretenimento de mídia e de compras, tais como provadores virtuais ou aplicações que permitam testar a aparência de móveis na residência do consumidor antes da compra.

Outra amostra interessante fica por conta do maior gestor de ativos da Coreia do Sul, a Samsung Asset Management, que lançou recentemente um fundo de metaverso. Em suma, esta modalidade de aplicação financeira coletiva se concentra em oito temas: computação em nuvem, realidade virtual, jogos online, pagamentos online, ferramentas de design 3D, negócios de plataforma, mobilidade e indústria de bens de luxo.

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Sopa de letrinhas? Conheça os termos essenciais para entender o metaverso

Para facilitar o entendimento do ambiente tecnológico do metaverso e, em especial, das áreas nas quais a massificação do uso pode, potencialmente, afetar as redes corporativas, vale a pena destacarmos as tecnologias relacionadas a ele.

Assim, os principais termos, usados ​​alternadamente, são: 

  • Meatspace: é o mundo físico no qual a maioria de nós passa a maior parte do tempo;
  • Realidade assistida: refere-se a qualquer tecnologia que permita a visualização de uma tela e o uso de controles de mãos livres para interagir com ela. Como exemplo, os dispositivos Realwear se enquadram nesta categoria;
  • Realidade aumentada (RA): esta tecnologia usa o mundo real como cenário e adiciona imagens geradas por computador à visualização. Uma boa amostra está no uso pelos varejistas de móveis, para mostrar virtualmente como um novo sofá ficaria na sala de estar de um cliente;
  • Realidade estendida: o XR é uma tecnologia “mais realística”, um guarda-chuva que utiliza qualquer tipo de display e abrange VR, AR e MR. Assim, modifica a interface de tela de humano para PC:
    • 1) imergindo o usuário no ambiente virtual (VR)
    • 2) adicionando, ou aumentando, o ambiente do usuário (AR)
    • 3) ou ambos (RM)
  • Realidade mista (RM): este termo descreve uma visão do mundo real, com a adição de objetos virtuais que se parecem e agem como utensílios reais. Desse modo, os usuários podem interagir com artigos virtuais e reais.
  • Realidade virtual (RV): é uma experiência imersiva que requer dispositivos físicos como um fone de ouvido. Existem jogos de RV que levam os usuários a mundos diferentes, bem como sessões de treinamento que se passam no ambiente real.

Mas, na prática, o que essas tecnologias têm em comum?

Além das características de inovação e estímulo a um uso aprimorado dos modelos sociais atuais, basicamente podem ser reunidas por duas características em especial:

  • a coleta e a análise de dados, para proporcionar uma experiência cada vez mais personalizada ao usuário;
  • e, como tecnologias digitais, a dependência da conectividade para funcionarem adequadamente. 

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O mundo dos dados

Até 2025, observaremos um período de implantação e aprimoramento de toda a infraestrutura necessária para a viabilização do 5G – a quinta geração da internet móvel, que promete revolucionar as operações empresariais e a vida dos indivíduos nas cidades inteligentes. Assim, diante da promessa de um serviço de conectividade mais rápido, resiliente e de baixíssima latência, organizações em todos os setores da economia já começam a se transformar em negócios cada vez mais orientados por dados;

Para ilustrar, vale destacar as previsões anuais para DataSphere e Storage Sphere, considerando os dados que são criados, consumidos e armazenados no mundo. Nesse cenário, de acordo com a IDC, o volume de dados criados e replicados em 2020 aumentou de forma rápida e incomum, devido a um aumento acentuado no número de pessoas que passaram a trabalhar, a estudar e a jogam em casa.

No entanto, a pesquisa apurou que menos de 2% desses novos dados foram retidos e ‘sobreviveram’ até 2021. Na verdade, maior parte foi simplesmente criada ou replicada para fins de consumo, ou temporariamente armazenada em cache, e posteriormente substituída por dados mais recentes.

Contudo, estima-se que a geração de informações crescerá mais rápido do que sua capacidade de armazenamento. Por isso, os analistas esperam a criação de duas vezes mais dados nos próximos cinco anos do que em todo o período anterior, desde o advento dos repositórios digitais. Nesse sentido, entre 2020 e 2025, espera-se um crescimento médio anual de 23% na Datasfera.

Nessa jornada, o segmento que mais cresce é o da Internet das Coisas e, em segundo lugar, o das redes sociais. Notavelmente, a criação de dados na edge da WAN está avançando quase tão rápido quanto na cloud. Por via de regra, a esfera corporativa está crescendo duas vezes mais rápido que os dados do consumidor, devido ao papel crescente da nuvem para armazenamento e consumo.

Considerando-se, ainda, o viés de storage do estudo da IDC, em cinco anos, estima-se uma capacidade de armazenamento instalada em todo o mundo projetada em 19,2%. Nesse sentido, embora nem todos os dados criados ou replicados estejam sendo preservados (e nem todos devam ser), a ampliação do volume de dados acaba levando ao crescimento da StorageSphere como um todo, atingindo 6,7 ZB (1.021 bytes) em 2020.


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Como o metaverso pode impactar seu Data Center

De um modo geral, a configuração futura do metaverso terá os maiores requisitos computacionais contínuos da história da humanidade. Por outro lado, a capacidade de computação é – e provavelmente continuará sendo – incrivelmente escassa.

Como vimos, as tecnologias que suportam o metaverso geram, consomem e armazenam uma quantidade enorme de dados, que cresce exponencialmente a cada ano. Nessa passada, aplicações de inteligência artificial e mais sensores, câmeras e dispositivos de IoT serão integrados ao mundo físico ao nosso redor, muitos dos quais serão conectados em tempo real a um simulacro virtual que pode interagir de volta. 

Consequentemente, para funcionar ostensivamente, a plataforma precisará de uma infraestrutura tecnológica massiva, capaz de prover toda a capacidade computacional, de storage e de largura de banda necessárias, além de equipamentos de ponta que suportem imagens 3D, conteúdo, finanças e sistemas de comércio online. 

Nesse sentido, assim como o metaverso é visto como a próxima iteração da internet, a infraestrutura de rede se destaca como um elemento crucial para sua viabilização. Aqui, falamos de rede como um provisionamento de conexões persistentes em tempo real, com alta largura de banda e transmissão de dados descentralizada por provedores de backbone. Portanto, consistem de centros de troca e serviços que roteiam entre eles, bem como os que gerenciam a ‘última milha’ dos dados dos consumidores.

Desse modo, os três principais atributos da conectividade – largura de banda, latência e confiabilidade – são, provavelmente, os maiores facilitadores do metaverso – talvez os menos interessantes para a maioria dos leitores. No entanto, suas restrições e capacidade de crescimento certamente moldarão o modo como projetaremos os produtos e serviços do metaverso, assim como respostas sobre quando poderemos usá-los e o que poderemos fazer ali.

Aqui, é importante fazer uma reflexão: largura de banda é comumente considerada “velocidade” mas, na verdade, refere-se à quantidade de dados que pode ser transmitida em uma unidade de tempo.

Por fim, é fato que os requisitos para habilitar o metaverso são muito maiores do que os requeridos pela maioria dos aplicativos e jogos da Internet, indo muito além de muitas conexões modernas. Isso nos mostra que, para que as organizações possam performar nesse ambiente, será necessário um longo e importante trabalho de modernização e de aprimoramento dos Data Centers, de modo que sejam capazes de suportar todo o tráfego estimado.


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Conclusão

O metaverso se apresenta como uma combinação de muitas funcionalidades e expectativas. Inegavelmente, será a amálgama de um espaço de realidade virtual, com uma grande base de usuários provinda de plataformas de mídia social, ao mesmo tempo em que utiliza todas as plataformas de realidade extendida. E muito mais.

Decerto, será uma nova forma de interagirmos uns com os outros, com o mundo e com todos os dados que já podemos encontrar online. 

Nesse cenário, metaverso pode ser o futuro da Internet, dos jogos online, das mídias sociais e dos dispositivos conectados. Pode ser o que une tudo, potencialmente, em uma combinação fluída de todas essas coisas. E para habilitá-lo, a capacidade computacional dos Data Centers, com um serviço de ultraconectividade resiliente e escalável, será essencial.

Como uma provedora de serviços de Data Center, dedicada a fornecer infraestrutura de TI escalável, confiável e flexível na América Latina, a ODATA está pronta para ajudar organizações a aprimorar sua infraestrutura de rede, para que possam pavimentar os caminhos até a jornada no metaverso. Especializada em Colocation, atende à crescente demanda por energia, espaço e confiabilidade de empresas que desejam avançar na evolução digital.

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