mulher sentada no sofa com um laptop no colo e um cachorro ao lado

Entrevista: trabalho híbrido, os desafios e oportunidades no pós-crise

Leitura de 11 min
21/07/21

Um bate papo com Bianca Moreno, Gerente de Recursos Humanos da ODATA

Já não restam dúvidas de que a rotina, na conjuntura do pós-crise, não voltará exatamente ao padrão adotado até o início da pandemia. O trabalho híbrido chegou para ficar. 

De acordo com uma pesquisa publicada pela consultoria McKinsey (mais detalhes abaixo), nove em cada dez organizações passarão, definitivamente, a combinar trabalho remoto e presencial.

Contudo, apesar de o modelo de trabalho híbrido já estar sendo adotado desde que a Covid-19 passou a dar sinais de retração, grande parte das organizações apenas recentemente começou a articular seus desafios.

Em especial, a pensar sobre como uma combinação mais permanente de home office e trabalho presencial, poderá impactar a segurança, a disponibilidade das redes e a capacidade dos Data Centers empresariais.

Como resultado, muitos trabalhadores estão se sentindo ansiosos, sem saber ao certo se as suas novas necessidades de flexibilidade e de capacitação de novas habilidades serão atendidas pelo empregador. 

Por outro lado, a aceleração da digitalização, impulsionada pela pandemia (especialmente no setor de serviços), promoveu mais de 69 mil contratações no macrossetor de tecnologia da informação e comunicações (TIC) entre janeiro e abril de 2021. Felizmente, o volume já supera o total de 59 mil profissionais contratados no Brasil em 2020.

Tais dados integram o Monitor de Empregos e Salários, publicado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Para esse levantamento, a entidade considerou os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Diante desse cenário, convidamos a gerente de Recursos Humanos da ODATA, Bianca Moreno, para um papo sobre oportunidades de carreira e os desafios na atração e na retenção de talentos no setor de Data Centers. Veja a seguir.

Confira a entrevista na íntegra:

#1. Para começar, você pode explicar o que é trabalho híbrido?

Claro! O modelo de trabalho híbrido consiste de uma combinação do cumprimento, pelo trabalhador, de parte da jornada laboral de forma presencial e outra parte de forma remota. 

Na prática, significa que o colaborador pode operar alguns dias no modelo remoto (em casa ou em qualquer outro local de sua preferência) e outros no escritório.

#2. Quais as vantagens do modelo de trabalho híbrido?

Na minha visão, o trabalho híbrido é uma evolução tanto do modelo 100% remoto quanto do tradicional, já que, idealmente, integra o melhor dos dois mundos.

Isso porque permite não apenas a flexibilidade de se realizar entregas onde quer que a pessoa esteja, mas também a socialização e as trocas tão ricas com os colegas, quando o indivíduo estiver na empresa.

Considero um caminho sem volta e diversos institutos de pesquisa endossam esse movimento. Conforme o exemplo que mencionamos acima, a consultoria McKinsey apurou que 9 em cada 10 organizações adotarão, definitivamente, um mix de trabalho remoto e presencial.

Um dos pontos mais interessantes da pesquisa da McKinsey é a constatação de que as organizações com os maiores aumentos de produtividade durante a pandemia têm apoiado e incentivado “pequenos momentos de engajamento” entre seus funcionários, momentos em que ocorrem coaching, mentoria, compartilhamento de ideias e coworking. 

Também penso muito em uma abordagem semelhante à que trata um recente artigo do Gallup, que defende que o futuro do trabalho é flexível. O texto diz que não apenas a maioria dos executivos de RH espera essa flexibilidade no local de trabalho, mas que, alguns deles, já consideram as oportunidades de trabalho remoto um imperativo da marca, citando organizações que já perderam talentos para concorrentes mais flexíveis. 

A solução mais popular, de longe, é uma mistura de dias de trabalho presenciais e no local – o conhecido ‘arranjo híbrido’ – voltado para a localização, departamento, função e empregado. Até agora, muitas empresas preveem que os funcionários trabalhem de um a três dias por semana no local para preservar a coesão, a conexão e a cultura que tinham antes da pandemia.

Gallup

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#3. E quais são os principais desafios do trabalho híbrido?

São vários – e todos precisaremos nos reinventar para superá-los. Entre eles, vale destacar:

  • Sem dúvida, a imunização de toda a força de trabalho é um dos maiores desafios do cenário atual. Todos temos o desejo de poder reunir o time o mais rapidamente possível, mas isso deve ser feito com muito cuidado, para não colocar em risco tudo o que foi conquistado até agora, em termos de proteção da saúde das pessoas;
  • Outro ponto importante é assegurar os níveis elevados de produtividade de uma equipe mista, com parte deles em casa e outros no escritório. E ainda mais diante dos altos níveis de ansiedade de esgotamento, acumulados ao longo de tantos meses em isolamento. Cada vez mais, os líderes precisarão ser cuidadosos e empáticos, entendendo a condição de individual do colaborador para motivá-lo a entregar o seu melhor, respeitando o limite de cada um.
  • Um desafio da gestão que também me preocupa bastante é como manter a cultura organizacional viva. Aqui na ODATA, por exemplo, a colaboração, a cultura ‘mão na massa’ e o orgulho do pertencimento sempre foram muito fortes, desde a fundação da empresa. Este é um ativo importante do nosso grupo e nós nos esforçamos ao máximo para preservá-lo, independentemente de onde estejamos;
  • Por fim (mas não menos importante), percebo que a aquisição ou adequação de ferramentas tecnológicas adequadas ao trabalho híbrido das equipes também tem tirado o sono de muitos gestores. Certamente, a pandemia acelerou a transformação digital das empresas, que avançaram muito nesse sentido. Mas a colaboração das equipes em ambientes distintos ainda impõe diversas questões, por exemplo, na contenção dos ataques cibernéticos.
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#4. O trabalho híbrido pode ser aplicado a qualquer tipo de função?

Essa questão, certamente, será uma boa pauta de debates intensos nos próximos meses. Mas eu diria que não. 

De um modo geral, tanto o modelo remoto, que prevê o cumprimento da jornada totalmente à distância, quanto o trabalho híbrido, são adequados a posições cujo cumprimento da função não seja essencial a presença nas instalações de seu empregador.

Como exemplo, profissionais de áreas administrativas – Marketing, Finanças, Recursos Humanos, time Comercial… e até as equipes de Call Center, que já se utilizam de softphones (aplicações instaladas nos computadores para realizar ligações telefônicas pela internet, via VoIP) para prestar atendimento virtual.

Por outro lado, podemos pensar em profissionais que trabalham em hospitais, por exemplo. Sem dúvida, a telemedicina trouxe grandes avanços na triagem e no acompanhamento do paciente, mas há diversas situações em que o atendimento presencial é indiscutível, como emergências e cirurgias.

Mais especificamente no setor de Data Centers, do qual a ODATA, faz parte, há diversos casos em que a presença dos profissionais (principalmente das áreas técnicas) é primordial para a continuidade da operação.

Os centros de dados são estruturas de missão crítica, vitais para o funcionamento das empresas – e, por essa característica, vêm sendo ainda mais demandados desde o início da pandemia. 

Para mitigar inúmeros problemas, como interrupção da conectividade, esses técnicos precisam estar nas salas de controle monitorando os servidores e cuidando para que nenhuma eventual falha possa interromper o serviço.


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#5. E qual é o cenário atual na ODATA? O trabalho híbrido já é realidade?

Aqui na ODATA, procuramos sempre nos antecipar às tendências do mercado global, tanto para atender às necessidades dos clientes, quanto para oferecer a melhor experiência possível aos nossos colaboradores.

No início da pandemia, movemos rapidamente todos os colaboradores das áreas administrativas para o home office. 

Mas os gestores de operação e os principais profissionais das áreas técnicas, como analistas de O&M e técnicos de telecom, que continuaram operando presencialmente, em escala de rodízio e de plantão, para assegurar o pleno funcionamento das estruturas dos nossos clientes.

Hoje, já percebemos o desejo de grande parte da nossa equipe em voltar a trabalhar no escritório. Mas estamos estudando esse movimento de retorno com muito cuidado, principalmente considerando como prazo o momento em que estivermos todos, efetivamente, vacinados contra a Covid-19. 


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6. Quais serão os empregos mais valorizados no modelo de trabalho híbrido?

Entendo que com o estabelecimento do trabalho híbrido os empregos mais valorizados serão os que melhor se adaptarem a esse modelo mais flexível, seja adquirindo competências técnicas inerentes às tecnologias digitais, seja aprimorando habilidades comportamentais, como a colaboração, a adaptabilidade e a resiliência.

No setor de Data Centers, de um modo geral, vejo funções como especialistas em redes e sistemas se destacando.

Aqui na ODATA, seguimos nesse caminho. E, nos próximos meses, precisaremos de mais profissionais de operações, redes e de engenharia. Estamos crescendo rapidamente – não somente no Brasil, mas em diversos países da América Latina como Colômbia, México e Chile. Por isso, temos um volume de contratação intenso. 

Até o final de 2021, esperamos abrir pelo menos 6 postos de trabalho no Brasil e 30 nos demais países.

#7. De um modo geral, como as empresas podem se preparar para manter o trabalho híbrido no pós-crise?

Essa preparação para o trabalho híbrido é muito particular a cada organização, já que se deve sempre levar em consideração as especificidades de seu parque tecnológico, do estágio de maturidade digital em que se encontram e, principalmente, das características do negócio e de sua força de trabalho.

Também vale revisar o modelo organizacional para torná-lo mais flexível.

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Com uma consolidada experiência de 20 anos na área de Recursos Humanos, atuação na gestão de equipes e todos os subsistemas corporativos, Bianca Moreno reúne uma ampla experiência nos setores de Infraestrutura, Tecnologia da Informação, Engenharia, Energia, Metalurgia e Alimentação.

Atualmente, desempenha lidera o time de Recursos Humanos na ODATA, desde a sua implementação, além de conduzir o desenvolvimento de políticas, processos e estruturação das equipes dos Data Centers de Santana de Parnaíba (SP) e de Bogotá (Colômbia).

Bianca tem uma atuação generalista, com destaque para as atividades de Gestão de Pessoal, Cargos e Remuneração, Desempenho, Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento, Comunicação Interna e Relações Sindicais.

Administradora de empresas pela FIA-SBC e pós-graduada em Gestão de Pessoas pela FEI, Bianca ainda tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV-SP e é certificada como Personal & Professional Coaching pela SBCoaching. 

Saiba mais sobre a ODATA

A ODATA é uma provedora brasileira de serviços de Data Centers, dedicada a fornecer infraestrutura de TI escalável, confiável e flexível na América Latina. Fundada em 2015, a empresa possui, atualmente, seis Data Centers na região, sendo três no Brasil, um na Colômbia, um no México e um no Chile. 

Especializada em Colocation, a ODATA atende à crescente demanda por energia, espaço e confiabilidade de organizações de diversos setores, interessadas em avançar em suas jornadas de transformação digital.

Para a empresa, ser ético é fazer sempre o certo, seguindo um caminho sem atalhos. É conhecer, exigir e praticar diariamente o “Código de Conduta e Anticorrupção da ODATA”, atuando de forma íntegra em todas as relações
de trabalho estabelecidas com clientes, fornecedores, colaboradores diretos e terceiros. Para isso, empresa trabalha com base em cinco valores principais:

  • Geração de valor para clientes e acionistas: gerar valor aos clientes e acionistas, oferecendo serviços inovadores, de qualidade e competitivos;
  • Gestão ética, transparente e participativa: estimular a participação dos colaboradores na gestão, de forma ética e transparente. Entendemos que esses são valores essenciais para a construção de relacionamentos sólidos e duradouros;
  • Valorização da equipe e do ambiente de trabalho: contribuir com o crescimento profissional dos colaboradores e promover um bom ambiente de trabalho, pautado no profissionalismo, comprometimento, mérito e respeito;
  • Empreendedorismo: incentivar e reconhecer atitudes e iniciativas inovadoras que potencializem os resultados da ODATA e de seus clientes;
  • Sustentabilidade e responsabilidade social: otimizar o uso dos recursos naturais no desenvolvimento das atividades; e fomentar práticas de ação social, de forma a equilibrar os interesses da companhia com os da sociedade.

A ODATA é uma empresa do Patria Investimentos, uma das maiores firmas de investimentos alternativos da América Latina, pioneira na indústria de Private Equity no Brasil. Também tem como acionista a CyrusOne, uma REIT americana de alto crescimento, focada na construção e operação de Data Centers de classe mundial, neutros em operadoras. É um dos maiores players internacionais do setor. 


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