Cibersegurança mundial

Ucrânia: como uma guerra cibernética do outro lado do mundo pode impactar seu Data Center

Leitura de 7 minutos
08/03/22

A escala da guerra cibernética está se tornando cada vez mais ameaçadora. Mas o que poderia acontecer ao seu Data Center, aqui na América Latina, depois de um ataque à rede de uma nação geograficamente distante, como a Ucrânia?

Na prática, no mundo interconectado não existem fronteiras, o que nos torna suscetíveis aos perigos de uma guerra digital, independente da localidade em que estivermos.

Assim, conforme as empresas passaram a adotar mais e mais aplicações digitais em suas operações, é natural chegarmos à conclusão de que tais estruturas precisam ser ainda mais fortalecidas em situações de crise.

Quer saber mais sobre este tema? Leia a seguir:

O que é uma guerra cibernética?

Imagine que um ataque cibernético maciço está acometendo o seu país, com dados governamentais, como registros de saúde e certidões de nascimento, sendo destruídos e mensagens de SMS, repletos de notícias falsas, sendo enviadas à população. As pessoas estão em pânico, o sistema de transporte está paralisado e a internet não funciona.

Nos dias de hoje, quando países declaram guerra uns aos outros, ofensivas dessa natureza se tornaram muito comuns.

Assim, resumidamente, podemos definir o termo guerra cibernética como uma série de investidas, veladas ou não, realizadas por um estado-nação (ou determinada organização internacional) contra outro. O objetivo principal é invadir e danificar sistemas computacionais ou redes de informação, de modo que o funcionamento do país, nos mais variados setores, seja prejudicado.

Isso, em geral, ocorre por meio da infiltração de vírus de computador, realizada por hackers, ou de ataques de negação de serviço (DDoS) à rede de conectividade desse país.

Rússia e Ucrânia: entenda o cenário

O conflito, deflagrado recentemente no mundo físico, já toma o espaço digital há pelo menos cinco anos. Assim, temos visto boicotes e sites oficiais de ambos os países sendo atacados, além da multiplicação de sanções provenientes de organizações todo o mundo contra as instituições estatais russas.

O maior deles, possivelmente, foi o que ocorreu em 2017, com a paralização, por meio de um software de contabilidade, dos sistemas dos portos, do metrô de Kiev, de empresas de energia e de outras agências estratégicas. Mais recentemente, na véspera da invasão – em 24 de fevereiro de 2022 -, um novo ataque DDoS de grande porte desativou sistemas bancários e sites do governo ucraniano.

Por outro lado, a guerra cibernética se intensificou com a reação sem precedentes entre hackers e ciberativistas de todo o mundo, que se solidarizam com a Ucrânia. Como exemplo, na mesma data, o coletivo global Anonymous se uniu à guerra cibernética e já reivindica uma série de ataques contra instituições russas.

Em 26 de fevereiro, o ministro de Transformação Digital ucraniano, Mykhailo Fedorov, convocou especialistas em TI dispostos a ajudar o país. Na ocasião, seu principal pedido foi para que voluntários realizassem ataques de negação de serviço (DDoS) para derrubar sites de empresas, bancos e do governo inimigo. E assim, horas depois, o site oficial do Kremlin foi derrubado.


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Como a guerra cibernética pode impactar seu Data Center?

Especialistas em tecnologia sabem que uma das áreas mais sensíveis da infraestrutura da internet é o fornecimento de energia. Dessa maneira, uma guerra cibernética séria usualmente envolve ataques às estações de energia que, por sua vez, alimentam os Data Centers envolvidos com os principais elementos de roteamento da rede.

A verdade é que os sistemas de segurança de geradores auxiliares e fontes de alimentação ininterruptas podem ser potencialmente hackeados. A energia de backup geralmente é projetada para desligar após algumas horas, tempo suficiente para corrigir uma falha normal; contudo, ataques cibernéticos podem exigir backup por dias ou até semanas.

E assim, os mercados de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) da Ucrânia e da Rússia serão, diretamente, os mais afetados pela guerra, com quedas consideráveis ​​esperadas no curto prazo e, possivelmente, uma lenta recuperação futura. Contudo, a verdade é que poucos países serão poupados em médio e longo prazos.

Nesse cenário, os analistas da International Data Corporation (IDC) esperam que os mercados europeus sejam atingidos primeiro, mas entendem que outras geografias ao redor do mundo também deverão enfrentar efeitos colaterais em suas economias e nos mercados digitais.

Para a diretora associada de pesquisa da IDC EMEA, Andrea Siviero, isso ocorrerá, principalmente, devido ao provável impacto da guerra no comércio, nas cadeias de suprimentos, nos fluxos de capital e nos preços de energia.

Então, o Brasil pode ser afetado?

Se, a essa altura, você está se perguntando como a tensão entre Rússia e Ucrânia pode afetar a economia brasileira – e, em especial, o seu Data Center -, saiba que o principal impacto é esperado no aumento do preço do petróleo.

Atualmente, a Rússia é o terceiro maior produtor petroleiro do mundo e o segundo maior exportador de gás natural. Hoje, já existem temores de escassez de oferta, caso as sanções vindas do Ocidente limitem o fornecimento de produto russo, para forçar a interrupção das investidas contra a Ucrânia,.

Esta situação, por sua vez, afetará a produção do setor energético global, o que, aqui no Brasil, consequentemente se refletiria na alta da inflação, obrigando o Banco Central a aumentar ainda mais as taxas de juros.

Além disso, a guerra cibernética pode facilmente ser estendida a organizações instaladas em qualquer país, inclusive o nosso, como forma de retaliação às organizações que manifestarem seu apoio público à Ucrânia.


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Como proteger a sua rede

Em situações de crise, há uma série recomendações sobre os métodos de defesa contra seus efeitos prejudiciais. Mas em uma situação de guerra cibernética, em especial, é preciso focar nas especificidades da infraestrutura digital de cada empresa.

Desde o início de fevereiro, temos visto os maiores ataques virtuais de todos os tempos às principais infraestruturas ucranianas. E seus efeitos, certamente, se espalharão por todo o mundo, à medida que essa situação continuar a se desenrolar.

Em geral, as cadeias de suprimentos e infraestruturas estratégicas críticas são os principais alvos, especialmente indústrias de alta tecnologia e aeroespaciais (ou de defesa), assim como os macro-setores de energia e agricultura.

De acordo com as estimativas do Gartner, ataques a organizações em setores de infraestrutura crítica aumentaram drasticamente, saltando de menos de 10, em 2013, para quase 400, em 2020 – um crescimento de 3.900%.

Por esse motivo, líderes da cadeia de suprimentos em setores de alto risco, em especial, devem se preparar para um número maior de ataques. Para isso, precisam criar eficazes planos de resposta a incidentes, com foco na detecção, proteção e recuperação, para potencializar a segurança do Data Center.

Os incidentes de segurança são uma questão de ‘quando’, não de ‘se’.”

Gartner

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Conclusão

Se você também está entre os que acreditavam que não veríamos mais ataques armamentistas de grande porte a essa altura da vida, certamente já não duvida do potencial de alcance e poder destrutivo de uma guerra cibernética.

Isso porque hoje, ao mesmo tempo em que o comércio exterior e a Internet nos permitem acessar, à distância em poucos cliques, pessoas, fornecedores e organizações alocadas em qualquer lugar do mundo, também amplia vulnerabilidades.

Por esse motivo, ainda que a guerra esteja ocorrendo em outro continente, é preciso aprimorar as condições de segurança da sua empresa, priorizando a resiliência da rede e a redundância do Data Center.

Esta é uma medida essencial para assegurar a continuidade do negócio, especialmente quando a estabilidade do sistema energético, a disponibilidade da rede de conectividade e a segurança da infraestrutura tecnológica podem estar em risco.


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